segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Vem dançar comigo


Muito tem se falado sobre o assunto, mas os homens ainda parecem gostar de tomar a iniciativa na arte da conquista, o que, de maneira alguma, impede que a mulher o faça primeiro.


O jogo da sedução funciona como uma dança complexa, porque exige que o homem e a mulher realizem movimentos e pausas, dentro de uma coreografia em permanente improvisação, que tem que incluir ambos. Ao contrário de competirem um com o outro, os dois têm de colaborar intimamente, pois se não houver um acordo tácito em que ambos aceitem as regras do jogo não será possível a dança.


Nessa dança não é permitido que um dos bailarinos protagonize um papel principal, neste caso o homem, que “manda”, poderá remeter a mulher para o papel secundário de obediência cega à sua condução. Tem de existir um acordo, sendo a primeira a de que o homem propõe, conduzindo e a mulher aceita deixando-se conduzir. O fato de deixar-se conduzir pelo homem não deve ser entendido como uma atitude absolutamente passiva da mulher. As maiores bailarinas sabem deixar-se conduzir, aceitam as propostas do homem que dança bem e, graças à sua sensibilidade, à sua entrega e à sua firmeza, permite-lhe, mais cedo até que ao homem, desfrutar os prazeres da dança.


Desse modo, o início da dança surge de acordo com a movimentação dos dançarinos, o homem procura o olhar da mulher pretendida (ou vice-versa) e a partir do momento em que os olhares se fixam, ele dirige-se à mulher, sem desviar os olhos, assegurando-se, assim, de que é com ele que ela quer realmente dançar e não com outro que esteja por perto. Depois de aceitar este convite sutil, a mulher espera o homem se aproximar e, só depois, levanta-se e avança para a pista.


Eles ficam de frente para seus pares, as mãos se enrolam e se desenrolam, enquanto o corpo parece se enroscar e se soltar. Um só corpo (formado pelos dois troncos dos bailarinos) que torce, rodopia, dobra e se desdobra.


Ao longo de toda a dança, ambos se movem constantemente tanto na direção do outro como na direção oposta. Cada vez que se movem para a frente, o terreno é preparado para o movimento seguinte. Todo movimento para trás se segue por uma nova avaliação do movimento anterior que os aproximara.


O movimento é calculado, prediz seu efeito antes que o próximo passo seja dado, e depois outro passo. Essa forma de sedução é cheia de vitalidade.


Os movimentos suaves dos corpos na pista de dança, o conflito que ali faísca, a tensão produzida é que conduzirá o futuro desfecho. A tensão diminui na medida em que ocorre uma harmonização nos passos do casal e existe uma constante adaptação para as necessidades do parceiro com o resto do conjunto.


Se as pessoas gostam de dançar e saem com esse objetivo, por que será que muitas continuam dançando sozinhas?


Dolly

2 comentários:

Blog da Marina disse...

Acredito que o fato de se dançar sozinha é resultado de várias danças não bem sucedidas anteriormente. Assim, os supostos "bailarinos", cansados de "pisadas", "falta de entrosamento" na coordenação dos passos e "falsa sintonia" na evolução da dança, acabam com medo de um novo desafio,um novo contato, uma nova apresentação. Então,se fecham com suas "improvisações" e deprimentes "solos".

Anônimo disse...

Cara Dolly
Ultimamente estou dançando sozinha mesmo.Faltam parceiros nesta dança e os que estão disponíveis não querem arriscar.
Bjs