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sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Mulheres Alteradas*


Ainda existe uma cobrança muito grande das mulheres em querer desempenhar o papel de mãe, de esposa e de mulher com perfeição o tempo todo e, por isso, elas estão cada vez mais sobrecarregadas, estressadas e alteradas. Sem contar que os aborrecimentos do dia a dia acabam por tirá-las do sério, levando-as à loucura.
É claro que existem alguns fatores de total descontrole emocional como o trânsito caótico e infernal da nossa cidade; os motoristas mal-educados; os motoqueiros e suas terríveis buzinas; os malditos semáforos que sempre fecham quando você vai passar; os radares; os guardas da CET que sempre aparecem quando você menos espera, etc.
Passar por isso todos os dias é de enlouquecer qualquer um. Eu posso afirmar que já fui mais descontrolada no trânsito, hoje eu sigo algumas regras que me ajudam a viver nesse caos que é São Paulo:

  1. Antes eu me estressava, gritava e chorava de raiva ao ficar parada no trânsito, não adiantava nada e, pior, acabava chegando atrasada em todos os lugares. Agora quando vou sair de casa, acrescento pelo menos 40 minutos ao tempo que costumo gastar no trajeto. Por exemplo: Se eu costumo gastar 20 minutos para ir da casa ao trabalho, eu acrescento mais 40, então, eu saio 1 hora antes do horário de entrada. Resultado: chego adiantada, tranquila e equilibrada no trabalho e não tenho mais desejos homicidas.
  1. Antes havia certos horários que eram praticamente impossíveis transitar pela cidade e hoje não existe mais dia nem horário para ter trânsito, por isso, é normal ficarmos muito tempo parados nos semáforos. Agora eu aproveito esse tempo para cuidar de mim: eu bebo água e como um lanchinho; passo filtro solar nos braços, no pescoço, no rosto; retoco batom; penteio o cabelo; troco o CD de música; faço massagens no pescoço e nos ombros; lixo as unhas e passo esmalte, etc. Resultado: Prevenção de rugas e doenças de pele, de desidratação, cuidados de beleza.

  1.  Antes eu me estressava muito com o comportamento agressivo dos outros motoristas que insistiam em desrespeitar as leis de trânsitos. Hoje eu faço o que uma amiga me recomendou; toda vez que algo me tirar do sério, eu repito o mantra em voz alta: “Vai fazer isso na casa do caralho!” “Vai tomar no seu cu, seu corno filho da puta!” (Claro que faço isso com os vidros devidamente fechados e as portas trancadas!) Resultado: Depois de repetir esse mantra algumas vezes, eu consigo respirar tranquilamente e sorrir novamente.

  1.  Antes quando eu ia a um lugar que não conhecia, procurava no mapa ou no Google o endereço, copiava num papel e levava-o comigo. Apesar disso, eu sempre me perdia e parava o carro milhares de vezes e perguntava a direção certa a alguém. Hoje eu não anoto mais nada e vou seguindo o caminho no felling mesmo. Resultado: Não perco mais tempo, afinal, eu vou me perder de qualquer jeito.

  1. Como o tempo que passamos no carro é muito longo, cansativo e desgastante, eu coloco a música que eu gosto no último volume e começo a cantar e dançar feito louca. Tem um monte de gente que me olha de um jeito estranho, mas não tem problema eu não me importo mais. Resultado: Assim descarrego todas tensões acumuladas e treino o meu inglês.

Seguindo essas regrinhas de ouro torna-se mais fácil sobreviver nesses tempos tão loucos e manter a sanidade mental necessária para não surtar de vez.

Um abraço
Dolly

*Referência ao livro da cartunista Maitena




sábado, 31 de julho de 2010

Uma galinha


No galinheiro, estava reunido um grupo de galinhas, a maioria era mãe exemplar e experiente, e elas estavam sentadas sobre os ovos à espera dos seus filhotes. Orgulhosas da maternidade, elas contavam com detalhes os prazeres e desconfortos da gestação, as travessuras dos pequenos (hoje não tão pequenos) para as mais jovens e mães de primeira viagem. Conversavam animadamente até o momento em que uma galinha disse que não botaria ovo nenhum. Todas olharam para ela e estranharam tal atitude, afinal o destino natural delas era ser esposa e mãe.
Como ela poderia contrariar sua “natureza”? Por que motivos ela estaria abnegando da maternidade, uma dádiva divina? Por que estaria fugindo de sua essência feminina ao se negar ser mãe e não querer se dedicar aos filhos? Não estaria ela sendo egoísta ao fazer tal escolha? Não seria apenas medo de assumir responsabilidades? O que faria ela se no futuro percebesse que cometera um erro e fosse tarde demais para consertá-lo?
E diante de tantas perguntas, ela respondeu que não conseguiria ser mãe. Afirmou que nunca sequer se imaginara desempenhando este papel. E que ainda não sabia se um dia iria querer ter filhos. Disse ainda que não abriria mão de sua liberdade e de suas coisas para se dedicar a eles. Ela queria era ser galo e cantar pelo mundo afora. E estava certa de que não se arrependeria mais tarde.
Todas ficaram surpresas e algumas horrorizadas com tal resposta.
Então, restam algumas dúvidas: Ela deverá ser condenada por pensar e agir diferente do esperado pelas expectativas sociais? Ao se abnegar da maternidade, ela terá “fracassado socialmente” e por não desempenhar o papel de mãe, estará indo contra a sua “natureza”? Por isso será discriminada pela sociedade?

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Pecado Capital


Hoje em dia, as mulheres vivem obcecadas por dietas, fazem tudo para conquistar um corpo magro. Numa festa ou jantar, diante de uma variedade de pratos, elas ficam tentadas a provar cada uma das iguarias ali presente.


No entanto, ao se entregarem a esse mundo de prazeres, sabores e aromas; a satisfação, logo, é substituída por um imenso sentimento de culpa.


Como experimentar novas sensações sem sentir tanto remorso?


Como controlar os desejos diante de tantas tentações ao nosso redor?


Como resistir, por exemplo, à atração por uma pessoa, estando com outra?


Sem grandes conflitos, muitos homens desejam várias mulheres e continuam amando suas esposas ou namoradas. No entanto, é comum as mulheres se culparem ao sentirem atração por outros que não sejam os seus companheiros.


A maioria das mulheres não admite, mas se sente lisonjeada, com a auto-estima lá em cima, diante das investidas de um completo desconhecido, de um elogio de um colega de trabalho ou mesmo de um vizinho.


Algumas fingem que nada aconteceu, outras resistem a proposta; enquanto outras, depois de muita insistência, aceitam a aventura.

Será que as mulheres casadas ou solteiras, ao se sentirem solitárias e entediadas, são tentadas a trair?


Ou será que o companheiro dispensa pouca ou nenhuma atenção a ela?


Ou elas são infieis apenas quando se sentem atraídas ou apaixonadas por determinado homem?


Não é a atração que faz alguém trair o outro, "sentir atração por outro homem, mesmo tendo parceiro, é totalmente natural. Se, a partir daí, vai acontecer alguma coisa e se isso implicará conflito, depende da mulher e do acordo entre o parceiro".1


Será que existe um único culpado na traição?


Segundo o dicionário Aurélio, trair significa ser infiel, ou seja, desleal, que não é digno de confiança. Não está sendo sincero e honesto aquele que trai a confiança do outro. E a infidelidade está relacionada a essa quebra de confiança, ao não cumprir o compromisso assumido com o parceiro.


Será que vale a pena arriscar uma relação em nome de uma atração passageira?


E o que fazer para não se entregar aos desejos?


Dolly


1. Vera Furia, mestre em psicologia clínica pela PUC-SP e autora do livro Mulher, Arquivo Confidencial.