domingo, 7 de agosto de 2011

Delírios de Consumo


Carrie Bradshaw* é uma escritora nova-iorquina antenada nas últimas tendências da moda, que adora vestir roupas de grifes famosas e tem verdadeira obsessão por sapatos. Como muitas mulheres, Carrie está acostumada a satisfazer os seus desejos ou a descontar as frustrações do dia a dia comprando.

E no mundo real, por que sentimos essa necessidade tão grande em comprar?

É impressionante o poder de influência e persuasão que as mídias têm sobre nossas mentes. Elas criam novos interesses e novas necessidades em nós que se quer teríamos imaginado. Como um verdadeiro parque de diversões, oferecem um mundo idealizado e perfeito através de uma série de anúncio de produtos. E assim, como Carrie, não conseguimos resistir a uma vitrine de um shopping, a um cartaz escrito PROMOÇÃO ou à luz incandescente dos provadores de lojas de departamentos.  

Ao comprar algo não estamos consumindo apenas um produto, mas um estilo de vida. Talvez, por esse motivo, sacamos da bolsa o cartão de crédito com grande satisfação e acreditamos (na nossa ilusão) que ficaremos parecidas com a Sarah Jessica Parker ou a Gisele Bünchen.

Existe uma felicidade maior (e, às vezes, tão cara) do que sair de uma loja com várias sacolinhas de papelão? Ainda que seja por ter comprado uma peça que nunca vamos usar na vida? Claro que não!

Sentimento de culpa por ter gastado tanto? Remorso por não ter levado aquela blusinha L-I-N-D-A?   

Não adianta nos recriminarmos por tão pouco, todas nós sabemos que esses sentimentos não levam a nenhum lugar (talvez ao psiquiatra). O melhor é pecar pelo excesso. Afinal, não queremos cumprir algumas penitências como memorizar o mês inteiro todas as promoções daquela loja para só comprar no último dia ou rezar para o São Longuinho para o dia do pagamento chegar mais rapidinho.

Um abraço

Dolly

*Referência à personagem Carrie Bradshaw do famoso seriado Sex and the City da HBO.


domingo, 24 de julho de 2011

Shrek para sempre*


Shrek, um ogro verde e cheio de defeitos, liberta a princesa Fiona das garras de um dragão com a ajuda de seu amigo Burro. Embora Shrek não corresponda ao tipo que Fiona idealizou para compartilhar a vida, ele gosta dela e a aceita do jeito que ela é.

Apesar de, inicialmente, não estar interessada nele, à medida que o conhece melhor, Fiona descobre o quanto ele era bom, companheiro e divertido e, com a convivência, se apaixona também por ele.

E se não criássemos tantas expectativas em nossas relações, será que seríamos mais felizes?

Outro dia uma amiga me disse que havia encontrado um cara muito legal que gostava dela e demonstrava isso de várias formas, massss... (sempre existe um mas para atrapalhar tudo) ela não estava tão interessada nele. E por mais que tentasse, não conseguia gostar dele, e pior, ela sabe que se continuar saindo com ele vai magoá-lo.

Pensando nisso mais tarde, perguntei a ela: Será que essa falta de "interesse" não está relacionada ao fato dele demonstrar que gosta tanto de você? Será que você não perdeu o interesse por ele se importar e se preocupar tanto?  Às vezes, os nossos corações são bastante caprichosos e tudo que vem fácil não damos muito valor. Será?

Talvez eu esteja reduzindo a questão ou sendo muito cética, mas quantas mulheres, na verdade, não sonham em encontrar o Príncipe Encantado? E como num conto de fadas, uma vez encontrado aquele que vai completá-las, elas acabam o idealizando a tal ponto que não enxergam suas fraquezas e defeitos? E quantas acreditam que assim serão felizes para sempre?

No entanto, muitas, ao se darem conta de que a imagem criada não corresponde à realidade, ficam frustradas e se sentem enganadas. 

 E se, ao invés do Príncipe Encantado, encontrássemos uma versão do Shrek na nossa vida? Será que nós teríamos desistido dele?


Um abraço

Dolly

 * Referência ao personagem e filme da DreamWorks Animation





segunda-feira, 18 de julho de 2011

As Estratégias da Guerra*


Muitas amigas reclamam das dificuldades encontradas para arrumar um namorado. Segundo seus relatos, elas enfrentam verdadeiras batalhas na guerra do amor e acabam, invariavelmente, feridas (emocionalmente) ou vencidas pelo desânimo, pelo medo ou pela desconfiança e desistem de lutar.
Como conselheira amorosa de botequim, percebi que algumas delas (inclusive eu) desconheciam “A arte da guerra”* no Amor. A partir de leituras, minhas próprias experiências e observações de casos de amigas e conhecidas, resolvi publicar alguns Princípios que norteiam essa guerra.

1.    Planejamento Inicial: Assim como na guerra, para atingir seu objetivo (conseguir um namorado) é preciso primeiro definir o alvo que você deseja atingir (O que você quer? Qual é tipo de pessoa você quer conquistar? Qual é o seu perfil?). “Uma vez fixado, todas as ações deverão estar orientadas na sua conquista e, apesar das circunstâncias da guerra, não se deve perdê-lo de vista”**

2.    Estratégia Ofensiva: Em seguida, deve-se definir estratégias de combate (Como conseguir atingir suas metas?) e táticas para alcançar o objetivo estabelecido. É imprescindível planejar e executar ações ofensivas – “Uma ação ofensiva assegura a iniciativa das ações, estabelece o ritmo das operações, determina o curso do combate e explora a fraqueza do inimigo”**.

3.    Fraquezas e forças: É necessário conhecer a força do seu exército (Quais são as armas para atingir seu objetivo? Quais são seus pontos fortes? Sua inteligência? Seu corpo? Seu humor? Seu sex appeal? E quais são seus pontos fracos?) para agir com confiança e segurança.  Acredite em seu potencial, trabalhe melhor suas fraquezas e se tornará invencível.

4.    Manobras: Sun Tzu Sun afirma: "Entra em ação somente depois de fazer a devida avaliação”***. Torna-se imprescindível a obtenção de informações sobre seu alvo (Quais são as suas necessidades e motivações? Que interesses, gostos e crenças ele tem?) para a preparação para o embate e para obtenção de vantagem em relação aos seus inimigos (potencias rivais).

Para vencer todas as batalhas, deve-se ter em consideração esses princípios e, talvez, assim será possível vencer os exércitos, tomar as cidades e ganhar o coração do amado.

Um abraço
Dolly

Referências:
*Título e tema inspirado no livro “A arte da Guerra” de Sun Tzu. http://www.culturabrasil.org/zip/artedaguerra.pdf

** Citação de trechos de artigo “Princípios da Guerra”. http://www.suntzu.hpg.ig.com.br/cap0pg.htm


*** Citação de trechos de artigo “A arte da Guerra” - Wikipédia. http://pt.wikipedia.org/wiki/A_Arte_da_Guerra#Cap.C3.ADtulos







segunda-feira, 11 de julho de 2011

Medo


Outro dia, uma amiga me disse que não queria conhecer um cara que ela tinha conversado na internet e gostado muito porque tinha medo de se apaixonar. 

Na hora em que ouvi aquilo achei um verdadeiro absurdo. Depois fiquei com isso na minha cabeça o dia inteiro e pensei:

Quantas vezes não desistimos das coisas que queremos por conta do medo?

Medo de se apaixonar e de se machucar, medo de tentar e de não dar certo, medo de arriscar e perder algo, medo de ser julgado ou criticado, medo de lutar e conseguir algo ou ainda medo de ser feliz.

O medo pode ser uma forma de nos proteger e de nos preservar de um perigo real ou iminente. Em excesso, ele nos aprisiona, nos torna reféns. O medo nos faz prisioneiros.

Se não fossem nossas inseguranças e receios, às vezes, infundados, poderíamos lutar e encarar nossos medos.

Se confiássemos mais em nosso potencial e não subestimássemos tanto as nossas qualidades, poderíamos aproveitar mais as oportunidades que surgissem no caminho. Talvez cometeríamos mais erros, mas não nos arrependeríamos por nunca ter tentado.

O pior será perceber que a oportunidade passou e que não fizemos nada para agarrá-la. Ao ficar na janela vendo a banda passar, resignados em sermos meros observadores, perdemos a oportunidade de curtir o melhor da festa.

Um abraço

Dolly









segunda-feira, 27 de junho de 2011

Estratégias de acasalamento*



Já comentei aqui sobre a minha relutância a “baladas” e, apesar de todos os contras, acabei indo com duas amigas neste fim de semana. Foi bastante divertido e, como antropóloga amadora de botequim de esquina, pude notar comportamentos que me chamaram atenção na pista de dança.


Enquanto dançavam ao som ensurdecedor dos DJs, muitas pessoas analisavam os seus futuros parceiros. Para muitas delas, as baladas são grandes oportunidades de encontrar alguém para “acasalar” (segundo definição do wikcionário, reunir um macho e fêmea para a criação. Na minha definição seria uma coisa mais casual como um sexo sem compromisso).



Motivados por isso ou por doses de álcool no sangue, a pista virou uma verdadeira demonstração de cortejos. Alguns se assemelharam muito a estratégias utilizadas pelas aves no acasalamento:


a)       Troca de papeis


Algumas espécies de aves, como as Jaçanãs, costumam trocar os papeis na hora do cortejo, são as fêmeas que disputam pelos machos. Assim como as Jaçanãs, algumas mulheres defendem seu território com precisão (na pista de dança) e dançam de maneira sensual, extravagante ou desajeitada (dependendo da mulher) para chamar atenção de um homem. Como quase sempre há mais mulheres que homens no salão, o homem seleciona aquela que dançar melhor ou que for de seu agrado.



b)      Exibição de beleza


No cortejo às mulheres, muitos homens se assemelham ao pavão, visto que ficam exibindo-se com pompa, expondo a cauda aberta (e o corpo inteiro) para todas que passarem no local, na esperança de encontrar uma companheira para acasalar.



c)      Danças elaboradas

Como a Ave do Paraíso, o homem se aproxima da mulher escolhida para fazer sua demonstração de dança: saltitando, sacudindo o corpo e dançando ao redor dela. Depois ele fica parado para que ela possa analisá-lo. Se ela aceitar, abrirá espaço para ele e dançará ao seu lado. Se ela não gostar, irá ignorá-lo (seja virando as costas, olhando para o telão ou se esquivando ligeiramente dele) e continuará procurando em outras áreas do salão.



"Os sinais corretos e as manifestações que fazem a corte são essenciais para conseguir um acasalamento"**. No entanto, independente da estratégia utilizada, muitos conseguiram obter sucesso na empreitada e encontrar um(a) parceiro(a) para acasalar. A prova disso é que levamos várias cotoveladas e empurrões de casais mais afoitos na dança do pré-acasalamento.


Um abraço

Dolly



*Título e tema inspirados em  artigo publicado sobre o acasalamento de aves "Estratégias para acasalamento de aves" .  http://www.ninha.bio.br/biologia/acasalamento_aves.html

**Citação  de trecho  do texto  "Estratégias para acasalamento de aves".



















segunda-feira, 20 de junho de 2011

A Pena Mágica


Por ter orelhas enormes, o pequeno Dumbo* era discriminado e ridicularizado pelos outros animais do circo. Longe da mãe, ele se sentia triste e desconsolado. 
Para incentivá-lo, seu amigo Timóteo lhe deu uma pena, que dizia ser mágica. Ao carregar a pena consigo, Dumbo passou a acreditar em si mesmo e conseguiu o que nenhum elefante conseguia fazer: voar.
Quantas vezes nós, como o Dumbo, não tivemos dúvidas sobre nosso potencial? E quantas vezes precisamos de uma pena mágica para acreditar que conseguiríamos fazer algo?
Se não fossem as nossas inseguranças, poderíamos voar mais alto. Se confiássemos mais em nosso potencial e não subestimássemos tanto as nossas qualidades poderíamos aproveitar mais as oportunidades e ser mais felizes.
Por que só enxergamos nossos defeitos e imperfeições? Por que não utilizamos também as nossas imperfeições para poder voar?

Um abraço
Dolly

*Dumbo é personagem do filme da Walt Disney “Dumbo”.



domingo, 12 de junho de 2011

O Dia dos Namorados


Há exatos três anos, eu escrevi sobre a angústia que antecede o dia dos namorados, principalmente, se você não tem um. Passados três anos, a situação continua a mesma, mas pelo menos a angústia diminuiu um pouco.

Mas por que essa necessidade constante de autoafirmação por meio do outro? Por que nós temos que ter um namorado para sermos felizes e realizadas?

Depositamos todas as nossas expectativas e esperanças em nossas relações. E quando elas não se concretizam (afinal, nem sempre é possível realizá-las) nos frustramos e nos decepcionamos muito.

Acredito que seja uma carga muito grande para qualquer ser humano a de se tornar responsável pela felicidade alheia. Imagine só, nós mal conseguimos garantir a nossa felicidade e esperamos que o outro nos faça felizes.

Será que não somos muito exigentes em nossas relações? Será que nossas expectativas não são altas demais? Não poderemos ser felizes solteiras?

Um abraço

Dolly